Medicina Integrativa

Nossa sexualidade, nossa vida em harmonia

Por Ricardo Balsimelli

A energia sexual é muito importante para todos os seres – natureza, animais e seres humanos. Ela está ligada à nossa força vital. Além de equilibrar nossos sistemas físico e emocional, o sexo é um motor que, usado de forma consciente, resulta em criatividade, permitindo-nos viver uma vida plena, criativa, leve e prazerosa em qualquer ordem.

Nas terapias integrativas, a energia sexual está relacionada com os chacras - centros de energia em forma de círculo (chakra = roda, em sânscrito; eixo rotativo de energia, como se fossem CDs). Os sete principais que vibram constantemente no nosso corpo são (de baixo para cima): Básico, Sexual, Plexo Solar, Cardíaco, Laríngeo, Frontal e Coronário. Todos eles estão associados ao nosso sistema endócrino, e cada um deles vinculado a uma glândula específica. 

A vibração de cada um dos chacras indica se a pessoa está bem ou não em cada parte do corpo e em cada setor da sua vida. Em excesso, está hiperativo. Se vibra menos do que o normal, está hipoativo, em desequilíbrio. Portanto, desbloqueá-los significa abrir o fluxo de energia - quanto mais a deixamos fluir, mais sadios seremos. Se esse sistema está obstruído, a consequência é a doença. Isso também distorce nossas percepções e deprime nossos sentimentos e, por isso, interfere na nossa experiência de vida. 

Quando falamos em energia sexual (e da nossa força vital), estamos nos referindo ao Swadhisthana Chakra (ou cidade do prazer, em sânscrito). Encontra-se na região do baixo ventre. É fisicamente ligado às gônadas – testículos (homem) e ovários (mulher) – e à energia feminina, ao útero materno, à procriação (à criação de outras coisas também, como projetos pessoais, profissionais). É responsável pela reprodução e troca sexual, e pelo fluxo de líquidos em todo o corpo humano.

O Swadhisthana Chakra energiza toda a área genital e urinária. É regido pela Lua (por isso tão associado ao feminino, à sexualidade, à maternidade e à criação) e pelo elemento água (vinculado ao líquido amniótico, às relações interpessoais, à autoestima, ao amor-próprio). Está relacionado ao nosso aspecto emocional, aos nossos sentimentos. Armazena emoções vividas em relacionamentos, e nos dá a missão de interagir com aquilo que está ao nosso redor de forma harmoniosa.

É o chacra da alegria. Quando está bloqueado, causa impotência sexual ou desânimo, problemas de relacionamento, baixa autoestima. Se está hiperativo, há um intenso desejo sexual e outras compulsões. Se estiver saudável, ele estimula o melhor funcionamento dos outros chacras e ajuda no despertar da energia psicossexual, a kundalini (motor da psique e do sexo) - a pessoa tem uma autoestima equilibrada, consegue aproveitar e apreciar os prazeres da vida.

Para a medicina moderna, sob o ponto de vista do funcionamento do organismo, o hormônio responsável por cumprir esse papel, para homens e mulheres, é a testosterona – dá vitalidade, aumenta a energia e a libido. Em nível normal, proporciona sensação de bem-estar, confiança, contentamento, prazer e alegria. Quando há deficiência, gera perda de massa muscular, pouca vitalidade, diminuição da libido. E, no mundo em que vivemos hoje, esse quadro é muito comum – o estresse gera um consumo dos precursores da testosterona (o mais importante e o mais prejudicado entre eles é o DHEA).

Mas o que fazer para reverter esse quadro? A lista é fácil e simples: o uso inteligente da energia sexual; meditação; atividade física; contato com a natureza; alimentos naturais e energéticos; vida social; autocuidado para alinhamento dos chacras (acupuntura, massagens, reiki; yoga); e a expressão de nossas emoções abertas. 

Não podemos adiar questões relacionadas à nossa sexualidade. Como já vimos, é uma energia que nos move, uma energia de vida e de expressão. Crenças precisam ser revistas, identificadas e desbloqueadas. Abrir um canal de diálogo é muito importante e é uma troca nutritiva – é uma oportunidade de estreitar vínculos entre os parceiros; desenvolve a mutualidade e a cumplicidade; estimula a compreensão, o carinho e o cultivo do amor. Quando acrescentamos à nossa existência as coisas simples que são divertidas e saudáveis, a vida flui, expandimos nossa consciência e nossa capacidade de amar, no dia dos namorados e em todos os dias.  

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A Medicina Integrativa e a promoção da Saúde

Por Dr. Ricardo Balsimelli

O termo Medicina integrativa tem ganhado cada vez mais espaço nos hospitais do Brasil, Estados Unidos e Europa, na saúde pública, e na mídia. Nos últimos anos, foram criados mais cursos de especialização e pós-graduações sobre esse tema. Mas, afinal, o que é a medicina integrativa?

Com foco na promoção da saúde, a medicina integrativa é o termo utilizado para um conjunto de terapias que dão suporte ao tratamento da medicina moderna, cujo foco é a doença em si - desde seu no diagnóstico precoce até medidas buscando a cura (quando possível) ou a estabilização, e evitar a evolução caso a quadro seja crônico.

O objetivo da medicina integrativa é promover saúde para o corpo, melhorando o metabolismo, imunidade e estado mental. Esse processo gera uma melhor resposta do organismo ao tratamento da medicina moderna e, dependendo do caso, viabiliza até a suspensão de medicações de uso crônico.

Como a medicina integrativa funciona?

Existem várias terapias que constituem a medicina integrativa, e todas atuam de diversas formas, mas principalmente com uma lente de aumento em um eixo denominado Psiconeuroendocrinoimunológico. O nome é complicado, né? Por isso, vou detalhar.

PsicoNeuro - O estresse é visto hoje como um fator importante tanto para a saúde mental e qualidade de vida quanto como um fator que ativa a liberação de neurotransmissores no cérebro que levam à ansiedade, à depressão, e às dores de cabeça. Esse cenário piora também a qualidade do sono e contribui para a redução da memória. Nesse processo é ativado o Sistema Nervoso Autônomo Simpático – responsável pelo aumento da frequência cardíaca, pressão arterial, dentre outras reações que preparam o corpo para lutar ou fugir de uma ameaça (pois é assim que nosso cérebro interpreta o estresse, estamos frente a uma ameaça!). Esse ciclo que acabo de explicar é a ligação do sistema psíquico com o neurológico. E o que acontece depois?

NeuroEndocrino - Sob a influência do estresse, o cérebro estimula uma de suas glândulas endócrinas (hipófise) a liberar hormônios que vão agir em outras funções; entre elas a suprarrenal, promovendo produção de cortisol e adrenalina. Ativados os sistemas neurológico e endocrinológico, o organismo passa para a etapa subsequente.

EndocrinoImunologico - O cortisol e adrenalina, em elevada quantidade no corpo, causam uma desregulação da função das células de defesa do organismo. Esse desequilíbrio promove uma redução da imunidade, propiciando aparecimento de doenças infecciosas com mais facilidade, por exemplo - herpes, gripes, resfriados, entre outras. Ou pode ocorrer uma exacerbação da atividade imunológica, culminando em processos inflamatórios e doenças autoimunes (ou seja, o corpo produz anticorpos contra as próprias estruturas dele; exemplos – artrite, diabetes, esclerose múltipla, lúpus etc).

Por causa desse complexo sistema, algumas das práticas integrativas como a medicina tradicional chinesa e indiana enfatizam a importância de um trato digestivo saudável, desde a alimentação, digestão a evacuação.

Diversos estudos têm mostrado que uma alimentação equilibrada, uma boa digestão e um intestino que funciona saudavelmente traz um aumento de substâncias antioxidantes que promovem redução de processos inflamatórios em todo o corpo. Encontramos inflamação em centenas de doenças, desde depressão (sim, depressão tem relação com inflamação cerebral) até tendinite no pé.

Portanto, as medicinas integrativas agem na mente e nas atividades neurológica, hormonal, imunológica e inflamatória, contribuindo para o tratamento das mais diversas doenças em todas as especialidades médicas.

Crédito da foto – Michal Lomza

Crédito da foto – Michal Lomza