Pelo fim do Dia dos Pais

Por Dr. Fernando Vella

Acredito que de forma geral os homens desejam menos ter filhos do que as mulheres. Nesse sentido eu não era uma exceção. Queria sim um filho ou uma filha, mas aceitava com tranquilidade que se por qualquer motivo isso não ocorresse eu seria igualmente feliz.

Já minha esposa tinha um desejo imenso de ser mãe e a sabedoria para pressentir que para nós não haveria felicidade verdadeira sem filhos.

Maturidade para mim significa ser capaz de se esquecer de si mesmo, de suas vontades e de seus quereres. O casamento me ajudou muito nessa jornada. Deixei de ter a maturidade de uma criança de 5 anos para a de uma de 9 anos após alguns anos juntos. Isso porque a esposa teve a ajuda de um professor de meditação que por anos martelou ensinamentos semanalmente em minha cabeça. Ainda assim, antes da gravidez eu me pegava pensando nas perdas que a paternidade impõe: o sono, os jogos de tênis, as noites de poker. Mas o nascimento dos filhos é a oportunidade perfeita para amadurecer e, quando vi meus bebês pela primeira vez, soube que todas as coisas que perdi na verdade eu entreguei de bom grado, pois (de repente, a maior obviedade do mundo) elas não importavam.

Claro que ser pai não é fácil (apesar de ser bem mais fácil do que ser mãe), mas significa sorrir sempre que se chega em casa, gargalhar várias vezes ao dia, ganhar abraços, beijos e carinhos (e cabeçadas) o tempo todo, amar e ser amado de um jeito que não tentarei descrever.

Nem sei se deveria haver um Dia dos Pais. Afinal, como premiar alguém que não importa o quanto dê está sempre ganhando mais?

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