A Medicina Integrativa e a promoção da Saúde

Por Dr. Ricardo Balsimelli

O termo Medicina integrativa tem ganhado cada vez mais espaço nos hospitais do Brasil, Estados Unidos e Europa, na saúde pública, e na mídia. Nos últimos anos, foram criados mais cursos de especialização e pós-graduações sobre esse tema. Mas, afinal, o que é a medicina integrativa?

Com foco na promoção da saúde, a medicina integrativa é o termo utilizado para um conjunto de terapias que dão suporte ao tratamento da medicina moderna, cujo foco é a doença em si - desde seu no diagnóstico precoce até medidas buscando a cura (quando possível) ou a estabilização, e evitar a evolução caso a quadro seja crônico.

O objetivo da medicina integrativa é promover saúde para o corpo, melhorando o metabolismo, imunidade e estado mental. Esse processo gera uma melhor resposta do organismo ao tratamento da medicina moderna e, dependendo do caso, viabiliza até a suspensão de medicações de uso crônico.

Como a medicina integrativa funciona?

Existem várias terapias que constituem a medicina integrativa, e todas atuam de diversas formas, mas principalmente com uma lente de aumento em um eixo denominado Psiconeuroendocrinoimunológico. O nome é complicado, né? Por isso, vou detalhar.

PsicoNeuro - O estresse é visto hoje como um fator importante tanto para a saúde mental e qualidade de vida quanto como um fator que ativa a liberação de neurotransmissores no cérebro que levam à ansiedade, à depressão, e às dores de cabeça. Esse cenário piora também a qualidade do sono e contribui para a redução da memória. Nesse processo é ativado o Sistema Nervoso Autônomo Simpático – responsável pelo aumento da frequência cardíaca, pressão arterial, dentre outras reações que preparam o corpo para lutar ou fugir de uma ameaça (pois é assim que nosso cérebro interpreta o estresse, estamos frente a uma ameaça!). Esse ciclo que acabo de explicar é a ligação do sistema psíquico com o neurológico. E o que acontece depois?

NeuroEndocrino - Sob a influência do estresse, o cérebro estimula uma de suas glândulas endócrinas (hipófise) a liberar hormônios que vão agir em outras funções; entre elas a suprarrenal, promovendo produção de cortisol e adrenalina. Ativados os sistemas neurológico e endocrinológico, o organismo passa para a etapa subsequente.

EndocrinoImunologico - O cortisol e adrenalina, em elevada quantidade no corpo, causam uma desregulação da função das células de defesa do organismo. Esse desequilíbrio promove uma redução da imunidade, propiciando aparecimento de doenças infecciosas com mais facilidade, por exemplo - herpes, gripes, resfriados, entre outras. Ou pode ocorrer uma exacerbação da atividade imunológica, culminando em processos inflamatórios e doenças autoimunes (ou seja, o corpo produz anticorpos contra as próprias estruturas dele; exemplos – artrite, diabetes, esclerose múltipla, lúpus etc).

Por causa desse complexo sistema, algumas das práticas integrativas como a medicina tradicional chinesa e indiana enfatizam a importância de um trato digestivo saudável, desde a alimentação, digestão a evacuação.

Diversos estudos têm mostrado que uma alimentação equilibrada, uma boa digestão e um intestino que funciona saudavelmente traz um aumento de substâncias antioxidantes que promovem redução de processos inflamatórios em todo o corpo. Encontramos inflamação em centenas de doenças, desde depressão (sim, depressão tem relação com inflamação cerebral) até tendinite no pé.

Portanto, as medicinas integrativas agem na mente e nas atividades neurológica, hormonal, imunológica e inflamatória, contribuindo para o tratamento das mais diversas doenças em todas as especialidades médicas.

Crédito da foto – Michal Lomza

Crédito da foto – Michal Lomza