Atenção Plena – acredite na simplicidade do processo

Por Dr. Ricardo Balsimelli

 

Meditação é algo para ser experimentado. É prática. Uma experiência por dia. O objetivo do meditador é desenvolver consciência. Consciência do que quer que esteja ali. Consiste em experimentar os eventos da própria vida de maneira direta. Observar a vida se desenrolar momento a momento. Sem preconceitos. Sem julgamentos. Como fazer isso? Há muitas técnicas de meditação ao redor do mundo, mas hoje nos restringiremos à prática da atenção plena (mindfulness).

Primeiramente, é importante esclarecer que Mindfulness não é apenas uma técnica de relaxamento. Concentração e relaxamento são necessários. São precursores obrigatórios, ferramentas úteis e subprodutos benéficos. Mas a prática da atenção plena nos apresenta algo simples e grandioso ao mesmo tempo – a consciência e a transformação da vida cotidiana. Uma investigação e um experimento. Uma revolução interna. Uma revolução silenciosa. E libertadora.

E como essa revolução se inicia? Quando nos tornamos o centro observador de nós mesmos e do nosso entorno. Respiração. Corpo. Sentidos. Emoções. E o ciclo se reinicia. Simples assim. E no seu tempo. Não estamos competindo com ninguém. Não há um cronograma ou uma exigência de performance. Estamos numa jornada interna, cada um de nós, com um fuso horário particular e único. Cada pessoa ajustará e afiará as habilidades e entenderá as experiências individuais. Uma a uma.

E o que é ser o centro observador de nós mesmos?  É ficar ciente do que realmente somos. Observar sem a interferência da nossa formação nos dada ou conquistada até o momento (religião, família, classe social etc). Observar sem nenhuma inclinação. Uma investigação participativa em que cada um de nós observa as próprias experiências enquanto participa delas. Como se estivesse no cinema. Eu sou o espectador de um filme – meus pensamentos, meus humores, meus medos e minhas emoções. O centro observador diz – são só pensamentos (é só um filme).  Haverá momentos em que eu me revoltarei – não, isso não vai funcionar. Vai, sim. Basta acreditar na simplicidade do processo: respirar (uma âncora importante para restabelecer sua atenção); observar (percepção é fundamental); acolher (aceitação) as minhas emoções. E deixá-las ir embora. Como a sessão de cinema ou como uma chuva forte do fim de uma tarde de verão – começo, meio e fim. A impermanência das coisas. Mas isso é assunto para outro dia, em outro texto do blog.

 

Texto com base nos livros:

  1. Atenção Plena em Linguagem Simples; Bhante Henepola Gunaratana

  2. Atenção Plena Mindfulness; Mark Williams e Danny Penman